Cadeira de rodas e postura sentada

Na escola, no trabalho, em cinemas, igrejas, dirigindo seu veículo, etc., independentemente dos motivos, as pessoas da era contemporânea passam muito tempo sentadas. Por esse motivo, inúmeras pesquisas tem sido realizadas, seja para viabilizar melhor produtividade ou para minimizar os efeitos nocivos que tal posição proporciona. Sabemos, no entanto, que a postura sentada oferece maior pressão nas vértebras, além de ser a campeã em causar dores nas costas.

Com o deficiente físico, esse detalhe deve ser ainda mais observado. Ele irá passar um bom tempo sentado e, por isso, pode obter muitos ganhos no uso de cadeira de rodas : independência, mobilidade, sem falar nos ganhos digestivos e respiratórios. Contudo, devemos ter um olhar cuidadoso nos componentes dessa cadeira. Além de conforto e segurança, as famílias procuram um equipamento que irá ajudá-las no cuidado de seus familiares, e os profissionais da reabilitação devem saber, exatamente, o que querem com o uso do equipamento. Dessa forma, ele passa de apenas um recurso para transporte (passivo) a um coadjuvante no tratamento e reabilitação (ativo).

Então, como determinar a cadeira ideal ? Qualquer cadeira de rodas, possui rodas, assento, encosto, apoio de pés e apoio de braços. Para pacientes que necessitam de outras adaptações é possível utilizar apoio de cabeça, apoio de tronco e de quadril, abdutores, adutores e cintos que, além de trazerem segurança, auxiliam na manutenção das posturas desejadas.

Quando escolhemos o tipo de chassi, devemos considerar o seguinte : quadriciclo, monobloco ou dobrável, passeio (bebê) ou triciclo. Os carrinhos de modelo quadriciclo oferecem maior estabilidade, e, se forem dobráveis, oferecem facilidade no transporte. Os triciclos facilitam percursos de rua. As rodas também podem ser rígidas ou infláveis, sendo estas melhores para trajeto de rua; o tipo de aro também tem muita importância principalmente, se for o paciente a conduzir sozinho a cadeira. Se for conduzido, também é preciso saber escolher bem a roda. Já para a prática de esportes é preciso observar a inclinação (cambagem) necessária..

Quanto aos assentos e encostos, devemos considerar o seguinte : tempo de permanência no equipamento, tipo de espuma, e se serão necessários materiais como a espuma visco elástica ou plumante de silicone. O tecido também influenciará na qualidade do equipamento. O courvin é mais fácil de limpar, por outro lado, tecidos automotivos dissipam 40% do calor produzido. Tanto o assento quanto o encosto não podem causar pontos de pressão e devem proporcionar o máximo conforto.
O assento deve ainda permitir ajuste de altura para que os pés alcancem o apoio, permitir que ao usuário manter a flexão do joelho sem pressão na fossa poplítea. Para auxiliar na manutenção da postura sentada, existem ainda outros acessórios, como : contra-extensor de joelhos, cintos de estabilização pélvica, espuma para abdução ou faixa restingidora.

Para o encosto há vários tipos de modelos e apoios que devem ser analisados. Devemos sempre destacar que eles, além de oferecer conforto, devem facilitar mobilidade e permitir função. Para usuários que possuem dificuldades de equilíbrio, isso deve ser considerado para prescrição de recursos auxiliares, como estabilizadores, posicionadores e cintos. O ideal é que além do conforto, atinja o melhor alinhamento axial, evitando contraturas e dores.

Em relação às demais alternativas de adaptações de encosto e assento, para casos leves ou muito graves, as opções devem ser avaliadas caso a caso. Quando possível, é importante que seja prescrita pelo profissional que , normalmente, acompanha o caso, pois ele conhece detalhes que podem beneficiar na prescrição do melhor equipamento. Além disso, quando necessário, elas devem ser realizadas por profissionais competentes, a fim de ampliar os ganhos e minimizar possíveis erros.

* Extraído da Revista Nacional de Reabilitação. Nº 56

Ortopedia São José
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