Ferida no pé pode ser sinal de diabetes e levar a amputação

Machucado aparece quando doença não é tratada e, nos casos graves, única saída é amputar o membro

Apesar de o Brasil viver uma “epidemia de diabetes”, com quase 20 milhões de diabéticos, metade das pessoas desconhece que estão doentes, o que pode agravar a doença, pelo início tardio do tratamento. E, para piorar, muitos pacientes só descobrem quando vão ao médico por causa de feridas nos pés, dedos ou pernas que não cicatrizam.
“Muitas vezes o diagnóstico é investigado por causa de uma alteração, como essas feridas, e se descobre que o indivíduo é diabético”, afirma o ortopedista Fábio Batista, Hospital São Luiz. “Mas muitos só se importam com as feridas quando já estão avançadas, dificultando recuperação da área”.
O problema é que às vezes a descoberta chega tarde demais. Sem circulação suficiente, os pés já estão necrosados e a única solução é a amputação. “Estima-se que a cada 15 minutos um diabético é amputado no Brasil”, afirma o endocrinologista Luiz Akira, do Hospital e Maternidade Assunção.
A doença, conhecida como pé diabético, é uma consequência de problemas sanguíneos, altos índices de glicemia e falha no funcionamento dos nervos. Tudo isso dificulta a chegada de sangue às extremidades dos pés.
Isso acontece com os diabéticos porque o excesso de glicose leva a uma desidratação do vaso sanguíneo. “Assim, o pé vai necrosando, vai morrendo”, ressalta Akira.

Obesidade

Para evitar o problema, pessoas com diabetes precisam cuidar bem dos pés, seguir recomendações médicas, como dietas e medicações, e tomar alguns cuidados, como não andar descalças e secar bem os pés.
Mas o ideal, ressaltam os médicos, seria que a população conseguisse evitar o diabetes tipo 2, causada sobretudo pela obesidade. “O critério para a pessoa ser considerada obesa é o tamanho da circunferência abdominal”, diz Akira. Mulheres com mais de 90cm de diâmetro abdominal já são consideradas de risco; em homens, o índice é de 1 metro de circunferência.

O que provoca a doença

Pé diabético é uma complicação crônica do diabetes e afeta ambos os sexos:-

– Quando o diabetes não é tratado adequadamente, o excesso de glicose causa desidratação dos vasos sanguíneos que irrigam os pés;
– Sem a distribuição adequada de sangue, essa região do corpo vai sofrendo danos, como se estivessem morrendo;

Sinais

– Formigamentos na sola dos pés são o primeiro sintoma;
– Essa sensação tende a passar para a parte de cima após algum tempo;
– Quando não são feitos o diagnóstico e tratamento, o doente sente uma queimação intensa dentro dos pés. Alguns relatam ter sensação de que há ácido no sangue;
– Outro estágio é a perda da sensibilidade, o que faz o doente não sentir nem dor;
– Escurecimento das pontas dos dedos;
– Alteração da textura da pele.

Feridas
– Como não sente dor, o doente pode ter uma ferida nos pés e não senti-la;
– Dessa forma, o ferimento não cicatriza, porque o sangue não consegue chegar à ponta dos dedos;
– Caso seja atacado por alguma bactéria, o membro começa a morrer;
– Nesse caso, é necessário amputá-lo.

Tratamento
– O controle rigoroso do metabolismo e da glicemia é consensual como prevenção e tratamento;
– Do ponto de vista prático, o tratamento é direcionado basicamente para a melhora dos incômodos causados pelos sintomas do pé diabético e na forma do tratamento conservador ou cirúrgico das sequelas (deformidades, calos, úlceras).
– Estima-se que existam hoje no Brasil 20 milhões de diabéticos;
– Metade deles não sabe que tem diabetes;
– Por isso, o diabetes é responsável por 35 mil amputações anuais;
– A cada segundo morre um diabético no mundo;
– A cada 15 minutos um diabético é amputado no Brasil;
– A Organização Mundial de Saúde calcula que até 2025 haverá mais de 350 milhões de diabéticos no mundo.

Fique atendo quando:

– Seus pés não sentem mais o calor ou frio;
– Não sentem quando são tocados;
– Não sentem dor.

Se você tem diabetes, previna-se

Observe alterações:
– Examine seus pés diariamente em um lugar bem iluminado;
– Quem não conseguir deve pedir ajuda a alguém;
– Trata-se de uma verdadeira inspeção: veja se há frieiras, cortes, calos, rachaduras, feridas ou alterações de cor nos pés, nos dedos e entre eles;
– Uma dica é usar um espelho para ter uma visão completa;
– Nas consultas, peça ao médico para ele examinar seus pés.

Higiene:
– É preciso manter os pés sempre limpos;
– Lave-os com água morna, e nunca quente, para evitar queimaduras;
– Use toalha macia para evitar danos à pele;
– Seque-os muito bem, principalmente entre os dedos;
– Não esfregue a pele;
– Mantenha a pele hidratada, mas sem passar creme entre os dedos ou ao redor das unhas.

Hábitos:
– Use meias sem costura, de algodão ou lã;
– Não ande descalço;
– Mantenha a glicemia sob controle;
– Não fume;
– Evite fazer as unhas em manicure para evitar cortes;
– Em casa, apenas lixe as unhas.

Por Dr. Fábio Batista – Ortopedista – Prof Visitante Univ Texas Health Science Center-San Antonio \ Chefe Ambul Pé Diabético DOT-UNIFESP / Hospital Rede D’or São Luiz Unidade Anália Franco

Publicada Canal: Veículo: Tipo de Clipping: Publicação: Impresso Agora 08/09/2013 Hospital São Luiz Seção: Grana Página: B7

Extraído do site à http://drfabiobatista.med.br/

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