O PÉ DIABÉTICO

Por Dr. Fábio Batista – Ortopedista – Prof Visitante Univ Texas Health Science Center-San Antonio \ Chefe Ambul Pé Diabético DOT-UNIFESP / Hospital Rede D’or São Luiz Unidade Anália Franco

Mais do que uma complicação do diabetes, deve ser considerado como uma situação clínica bastante complexa que pode acometer os pés e tornozelos de indivíduos portadores de Diabetes Mellitus; assim, pode reunir comemorativos clínicos característicos e em graus variados, isoladamente ou em conjunto, tais como a perda da sensibilidade protetora dos pés, a presença de úlceras em diferentes estágios evolutivos, deformidades, infecções, amputações e também o comprometimento vascular periférico.
É estimado que exista cerca de 16 milhões de pacientes portadores de diabetes mellitus nos Estados Unidos, onde aproximadamente 798.000 novos casos são diagnosticados anualmente. No Brasil, os dados ainda são incertos, mas a estimativa é de que já contamos com cerca de 10 milhões de portadores de diabetes, onde pelo menos 50% desses, ainda desconhecem o diagnóstico.
Complicações do diabetes constituem a mais comum indicação de hospitalização dos pacientes portadores de diabetes. Cerca de 15% das internações hospitalares estão diretamente relacionadas com diabetes, onde 25% dessas internações relacionam-se com o comprometimento dos pés. A Associação Americana de Diabetes estima que mais de 50.000 das amputações dos membros inferiores realizadas anualmente seja decorrentes de complicações do diabetes
Aproximadamente 2/3 dos portadores de diabetes de longa duração tem sido visto com sinais clínicos e sintomas sugestivos de neuropatia diabética, podendo afetar as esferas sensitiva, motora e autonômica. O envolvimento da inervação sensitiva cutânea e a perda da sensibilidade protetora dos pés é considerado o principal fator de risco primário para o desenvolvimento das úlceras plantares em portadores de diabetes e também o precursor para eventuais amputações, sejam parciais ou totais, do membro inferior. As úlceras nos pés, as infecções e as amputações são consideradas as principais preocupações entre as pessoas portadoras de diabetes.
A educação e os cuidados preventivos constituem os principais fatores no entendimento e na execução de todos os programas referentes à abordagem do Pé Diabético. Dessa forma, vale a pena ressaltar alguns cuidados considerados simples, mas cruciais para uma adequada orientação desses pacientes.
– Lavar os pés diariamente.
– Secar os pés muito bem, sobretudo entre os dedos.
– Manter a pele limpa e hidratada por meio de loções lubrificantes apropriadas. Não usar loções entre os dedos.
– Checar os pés todos os dias. Pode-se utilizar um espelho ou solicitar ajuda a algum amigo ou familiar de confiança.
– Usar lixas de unhas gentilmente para os cuidados ungueais.
– Trocar de meias diariamente. Dar preferência às meias brancas.
– Manter os pés aquecidos e protegidos por meio de calçados bem adaptados e confortáveis.
– Nunca andar descalço.
– Verificar o interior dos calçados todos os dias.
– Manter a glicemia sob controle e disciplinar-se a seguir orientações médicas regulares de profissionais treinados e familiarizados integralmente na abordagem interdisciplinar do Pé Diabético. Não fumar.

Neuro-Artropatia de Charcot

A Neuro-Artropatia de Charcot é uma situação clínica bastante grave e que compromete muito a qualidade de vida do indivíduo, além de ameaçar bastante a manutenção do membro caso não seja abordada apropriadamente. O típico paciente portador de artropatia de Charcot encontra-se entre a quinta e sétima décadas de vida, com pés insensíveis, acima do peso, apresentando diabetes de longa duração e tentativas hiperêmicas de remodelação óssea, culminando na grande maioria das vezes, com pés bastante deformados com ou sem úlceras.
O objetivo do tratamento da artropatia de Charcot nos pés é obter como produto final, um pé plantígrado e estável, livre de úlceras e que possa ser acomodado em calçados apropriados.
Nos estágios iniciais da doença (desenvolvimento e coalescência) um bom controle metabólico do diabetes e um adequado manuseio ortótico muitas vezes levam a um resultado desejável e conduz esses pés ao estágio de estruturação e resolução final onde se atinge o objetivo esperado.
Caso obtenha-se no estágio de resolução um pé que não seja plantígrado, que não seja estável ou apresente-se até desarticulado, que apresente úlceras recorrentes com ou sem infecção secundária e que não possa ser “sapatável”, a opção cirúrgica deve ser considerada.

Matéria publicada no Boletim 35 da SBMCP – 2005.

Extraído do site à http://drfabiobatista.med.br/

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