Um incentivo à CRIATIVIDADE ferramenta importante na reabilitação, no trabalho, no dia a dia…..

Como tem sido a abordagem que fazemos com as pessoas? Como tem sido nossos atendimentos, quer seja em Reabilitação, na promoção de empregos ou outras frentes? Temos nos relacionado com “autoridade”, dando direções, mas também permitindo o crescimento e desenvolvimento de cada um, estimulando descobertas e aprendizados com profundidade, ou temos usado o “autoritarismo”, ditando regras rígidas, estabelecendo metas inflexíveis sem levar em consideração limites e tempo de cada pessoa que está sob nossos cuidados?

Quando queremos resultados melhores, contextualizados e renovadores (e cada vez mais precisamos de novos horizontes e ajustes, sem descartar o que sempre foi bom), percebemos o valor de levar o indivíduo a pensar, refletir, participar de situações e desafios em sua reabilitação, trabalho, relacionamentos…. em sua vida!

É por causa de nossa criatividade que descobrimos formas de fazer algo diferente e mais eficientemente todos os dias. A criatividade tem sido o foco de várias pesquisas acadêmicas que tem como objetivo explicar e até sistematizar o pensamento criativo. Não iremos aqui abordar esse assunto profundo. Embora a criatividade seja importante para o desenvolvimento e solução de dificuldades de qualquer área da nossa vida, alguns fatores podem influenciar no bloqueio de um processo criativo. Não é raro encontrarmos em instituições, trabalho ou outros locais, algumas situações que sabotam o processo criativo. Uma visão exageradamente sistemática e padronizada de atividades visando apenas resultados em tempo recorde, pode não contribuir para a criatividade de cada um. Um planejamento não é negativo, mas é importante ressaltar que uma padronização inflexível ou a mecanização dos atendimentos são consideradas fatores bloqueadores para o desenvolvimento da criatividade… e de uma reabilitação plena.

Dependendo do ambiente no qual estamos inseridos podemos inibir ou estimular uma pessoa na capacidade de ver oportunidades ao invés de problemas nas diversas situações cotidianas.

Ter flexibilidade é bom… Alguns fatores organizacionais como o estilo de liderança, a estrutura organizacional e os propósitos organizacionais podem ou não comprometer o potencial criativo, de acordo com as condições propícias ao desenvolvimento da criatividade. Sabemos que a capacidade cognitiva dos indivíduos também pode inibir o processo criativo.

O processo criativo é desenvolvido na prática da busca pelo novo, a também fazer perguntas ao invés de apenas se contentar com respostar prontas, por exemplo. Os bloqueios à criatividade fazem o contrário, pois inibem o potencial criativo das pessoas, permitindo apenas que fiquem na “zona de conforto”, em que tudo é mais seguro e previsível. A zona de conforto é um bloqueador da criatividade, pois não desperta nas pessoas a vontade de pensar ou criar de forma diferente.

Alguns fatores contribuem para a paralização da criatividade e de um bom resultado em programas de reabilitação e também em empresas que contratam pessoas (com alguma deficiência ou não). Em alguns depoimentos de pessoas com deficiência visual (de diversos locais), podemos perceber algumas situações e exemplos interessantes:

. Não tenho oportunidades de expor ideias. Tudo é corrido;

. Tenho medo das opiniões dos outros, medo do ridículo, de errar, isso me faz tremer e ai travo;

. Já fui podado nas minhas ideias quando criança;

. Tenho medo de enfrentar algo novo;

. No meu trabalho não tem liberdade, incentivo, nem motivação;

. Se eu fosse menos criticado com broncas constantes poderia me soltar;

. Tenho preguiça;

. Meu professor é muito autoritário e opressivo e tenho medo da crítica destrutiva;

. Sou insegura, não acredito em mim;

. Quando vou fazer uma atividade, a pessoa acaba fazendo por mim, não me deixando terminar a tarefa sozinho;

. Minha chefe chega estressada, não confia nem delega funções a outras pessoas e não podemos nem sorrir no ambiente.

Bloqueios… São obstáculos que nos impedem de perceber corretamente um problema ou conceber uma solução. Pela ação destes bloqueios nós nos sentimos incapazes de pensar e fazer algo diferente, mesmo quando há necessidade.

Os bloqueios emocionais também podem contribuir para o impedimento à criatividade, devido à história de vida da pessoa, traumas, medos, dificuldade com autoridade ou outras situações não superadas. Alguns bloqueios até podem ser criados por nós mesmos, como temores, percepções, preconceitos, experiências, emoções etc. São paredes invisíveis que nos impedem de sair do “casulo”.

Em todas as atividades no setor de Terapia Ocupacional – e em todas as outras que se propõem a contribuir para a melhoria do indivíduo e suas realizações – deve existir o espaço para o desenvolvimento da criatividade. Momentos de música, de pausas, conversas, interações, reflexões, atividades físicas, atividades expressivas, exploratórias, imaginativas, lúdicas, atividades estruturadas e livres e outras atividades são extremamente ricas. Costumo sempre citar um exemplo em que um rapaz com deficiência visual era cobrado por sua família para que colocasse chocolate em pó no seu copo de leite. Porém, ele tinha muitas dificuldades de realizar essa cobrança da família (e até da própria instituição), por apresentar dificuldades de coordenação motora fina, o que o deixava bastante aflito. Foram necessários alguns exercícios para que ele adquirisse os requisitos básicos e criasse o caminho para realizar essa tarefa. No tempo dele, conseguiu colocar adequadamente o chocolate no copo de leite e tomar a bebida com gosto, sem o estresse das cobranças. Mesmo que em alguns serviços forem estipulados resultados em tempo diferente do tempo da pessoa, um acordo pode ser estabelecido.

Alguns itens são muito importantes para que nossa criatividade seja estimulada. Quando nos sentimos confiantes e motivados, crescemos. Um ambiente ameaçador não cria novas soluções. O medo é inibidor da nossa criatividade. É preciso dar tranquilidade ao nosso cérebro para que ele possa criar. A nossa motivação está relacionada com o quanto gostamos do que estamos fazendo e também das recompensas que conseguimos ao atingir nossos objetivos. Estas recompensas vão desde elogios até salários melhores. Mas nós mesmos podemos melhorar nossas recompensas se estivermos atentos e valorizarmos nossos esforços e resultados (itens baseados em estudos da neurocientista Dra. Carla Tieppo).

Trabalhar com situações diferentes com pessoas que pensam, agem e conhecem coisas diferentes de nós pode ser muito bom. Ser criativo é ter pensamentos ágeis, ser curioso e motivado, ter produtividade e ter a mente tranquila. Podemos contribuir para isso?

Que possamos não apenas ser criativos, mas que possamos estimular as pessoas que estão ao nosso redor para isso, seja com um aluno, cliente, paciente, chefe, funcionário, amigos, familiares…

“Se teus olhos forem bons… tudo será luminoso”… (Jesus).
Por Suely Carvalho de Sá Yañez

Extraído da Revista Reação – Ano XlX – Nº 108 – Janeiro/Fevereiro 2016

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